Vitória de Trump é a derrota do Identitarismo

Apesar da animada campanha envolvendo centenas de celebridades, não apenas dos EUA, mas também dos EUA, o mundo acordou surpreso com a notícia da vitória de Donald Trump para ser o presidente dos Estados Unidos nos próximos anos. Foi uma porrada e tanto e as forças progressistas, sejam de direita ou de esquerda, estão quebrando a cabeça para entender a razão do fracasso.

Na verdade, não é preciso pensar muito para encontrar a resposta, pois a campanha da progressista de direita Kamala Harris, assim como foi  a do centro-esquerdista Lula, focou no identitarismo, demonstrando de forma clara, mas não assumida, o desprezo às causas trabalhistas, reservando para a classe operária apenas migalhas e paliativos.

A população em geral, que testemunha a pior fase do emprego mundial nesta fase distópica do Capitalismo, se cansou dos paliativos e das promessas vazias e dos relatórios mentirosos sobre falsos êxitos no mercado de trabalho, cada vez mais desumano no mundo real, migrando para outras forças políticas que pudessem lhe dar apoio.

Esquecem os progressistas em geral de que a classe operária não vota por ideologia. Quer quem resolva os seus problemas, independente de quem quer que seja. Quer emprego com salário digno e que ofereça condições dignas de trabalho (uma carga horária não muito grande para poder dar tempo livre para atividades pessoais - isso não é estimulo à vagabundagem). 

Mas os progressistas fingiram que as exigências de salário e emprego foram todas alcançadas e os verdadeiros trabalhadores se sentiram enganados. Trabalhadores, mas não aqueles playboys que acham que ganhar dez mil por mês é pouco porque pensa que 10 toneladas semanais de cerveja são indispensáveis para a sobrevivência humana.

Ao se sentirem enganados, os trabalhadores, com ajuda de lideranças religiosas, encontraram na extrema direita a voz que estaria disposta a ouvir os seus apelos trabalhistas, já que os progressistas estavam ocupados demais com o carnaval de travestis, maconha, veganismo e o sorteio de alguns excluídos para entrar na elite, que embora seja mais diversificada, é tão privilegiada quanto a elite tradicional.

O mega-empresário Donald Trump percebeu a realidade e disse para a classe trabalhadora a palavra mágica que ela queria ouvir: EMPREGO. Resultado. recebeu os votos necessários para a montagem do seu colégio eleitoral (lá é diferente do Brasil - os eleitores votam no candidato, que não recebe diretamente os votos. Cada voto dá direito à um número de delegados para a montagem do colégio e estes delegados é que decidem quem ganha).

Outras coisa que favoreceu Trump é que ele foi bastante discreto em relação a exposição de celebridades declarando abertamente seu voto no candidato. Kamala usou e abusou de celebridades, como faz Lula por aqui. Lula encanou de dizer que "arte e cultura são tão necessárias como comida", para angariar apoio maciço de celebridades que lhes serviriam de excelente cabos eleitorais.

Mas o tiro saiu pela culatra. A população enxerga nas celebridades um bando de magnatas, gente rica e bem de vida, gente distante do resto da humanidade. Uma espécie de nova nobreza. Mesmo que estas celebridades tentem fazer caricatura de pobres estereotipados, através de gírias, modo de vestir e dancinhas ridículas, na tentativa desesperada de dizer "também somos povo". Mas essa farsa não colou.

A população olhou para o excesso de celebridades ao redor de Kamala e pensou: "a democrata é a candidata dos ricos. Como eu não sou candidato dos ricos, não quero saber de Kamala. Vou procurar alguém que fale com os pobres". Encontraram em Trump, odiado pela maioria das celebridades, esse "alguém".

Bom, o jeito é aceitar. Como não é a primeira vez que ele governa, temos uma ideia de como será a sua gestão. Mas foi bom os identitários perderem. Para aprender a não colocar supérfluo no lugar do necessário.

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