Classe média de esquerda não tem consciência de classe

 

A classe média brasileira é como um ornitorrinco: ninguém sabe de que se trata. Tem bico, mas não é ave. Bota ovo, mas é mamífero. Apesar de ficar o tempo todo fingindo ser rica, com um salário que permite brincar de ser magnata, numa caricatura de vida de rico, por não ter o poder de manipulação política dos verdadeiros magnatas, acaba se achando pobre. 

Graças a isso, a classe média brasileira abraçou de vez o esquerdismo, achando que Lula, com seus paliativos e a aliança com forças estranhas ao esquerdismo verdadeiro, trará dignidade ao povo pobre, mesmo que esta dignidade venha na forma de projetos paliativos e programas sociais parecidos com o assistencialismo fajuto de várias instituições religiosas.

Essa classe média, feliz com sua relativa fartura - o menor salário desta classe é R$ 5.000,00 reais - mas desejosa de posar de "altruísta" para angariar prestígio, simpatia e a confiabilidade de outras pessoas - a classe média valoriza excessivamente as relações sociais - se encanaram de virarem esquerdistas e eleger Lula como o próximo presidente da nação.

Mas como essa classe média está resolvida economicamente, para simular alguma preocupação social, resolveram a aderir ao identitarismo, essa armadilha criada pelos neoliberais para que progressistas tenham a ilusão de uma justiça social sendo feita sem precisar repartir renda e mexer nos interesses dos maiores capitalistas (e dessa classe média também).

Fingindo que justiça social pouco ou nada tem a ver com distribuição de renda, essa classe média que se acha trabalhadora, achou que o identitarismo compensa o descartado trabalhismo, achando que pobres se contentam com pouco por ter vida mais simples (aquele velha confusão entre o básico e o precário).

Com isso, se sentem aliviadas de não precisar contribuir financeiramente para por em prática esta suposta justiça social. Lula pode dar migalhas aos pobres que isso já alegra a classe média, já que não será ela que receberá os paliativos que Lula irá reservar aos mais carentes. A classe média já está resolvida financeiramente, mas pode fingir ser pobrezinha nas redes sociais para atrair simpatia.

Essa classe média não tem consciência nem de classe e nem da sua responsabilidade de servir de exemplo social de não ter que acumular bens e privilégios. Ao mesmo tempo que finge que é classe trabalhadora, ostenta um padrão de vida invejável, com ótimas residências, carros do ano, joias, viagens ao exterior, amigos e parentes morando fora do Brasil, etc..

É uma baita hipocrisia e total falta de informação achar que Lula irá trazer a justiça social ao Brasil, instalando o suposto Socialismo - que nem mesmo essa esquerda de classe média sabe bem o que significa - em seu governo, mesmo tendo um exército de neoliberais governando ao seu lado.

Esta classe média deveria, além da consciência de classe que a coloca muito distante da classe trabalhadora que ele finge defender - bom lembrar que para a classe trabalhadora, Lula é um traidor - ela deveria se informar mais e reconhecer que Lula representa muito mais os interesses desta mesma classe média que o apoia do que a classe trabalhadora, esta que terá que se contentar com migalhas e paliativos. 

Pois não é interessante para as outras classes mais superiores, que a classe trabalhadora se emancipe. Para a classe média, que a classe trabalhadora fique sempre esperando os escassos benefícios virem de cima, o pouco que ainda sirva para sobreviver, mesmo precariamente.

A classe média deveria se assumir como voz intelectual dos capitalistas, reguladora das regras e tradições sociais e que mesmo trabalhando duramente - e não gostando de seu trabalho - não pode ser considerada classe trabalhadora por não ter as dificuldades e limitações que os operários e a população pobre tem que encarar em seu cotidiano cronicamente precário.

Postagens mais visitadas deste blog

Lula não rompeu com Michel Temer

Lula: "pobre custa pouco no orçamento"