Mídia Alternativa esconde os erros de Lula
Com a eleição de Lula, a mídia alternativa mostrou que não é muito diferente da mídia corporativa. As únicas diferenças situam-se no repertório ideológico. Mesmo assim, não é uma diferença muito grande, pois tanto uma quanto outra são controladas pelas mesmas classes sociais, resolvidas na vida e desinteressadas em melhorar o sistema que as beneficia, sobretudo economicamente.
A mídia corporativa, que é a mídia oficial, controladora de rádios, televisões, jornais e revistas, formas de emissão que exigem muitos custos, é assistidas por toda a sociedade, com tradicional credibilidade (mesmo falsa). A mídia corporativa é a mídia que controla a opinião pública em geral e regula os valores e costumes de toda a sociedade, sobretudo no Brasil, que confia muito nos meios de comunicação.
Durante os governos direitistas, notícias a respeito de políticas de direita eram bastante elogiadas, com erros escondidos que só eram revelados caso o político de direita traísse a classe sócio-econômica controladora dos meios de comunicação tradicionais.
Em gestões direitistas, quem dava um show de jornalismo responsável era a mídia alternativa, já que ela não era favorecida por quem estava no controle, podendo alertar a população - ainda bastante escassa, já que, com menos recursos, o alcance da mídia alternativa sempre foi, e ainda é, muito limitada - sobre os erros cometidos pelas gestões que estavam governando.
Mas as coisas mudaram. Como Lula nunca agradou de fato os controladores da mídia tradicional, mais pelos estereótipos ligados a ele e a possibilidade de emaçar a ganância empresarial de donos e patrocinadores da mídia corporativa, foi a mídia alternativa que se dispôs a representar Lula. E agora com o petista no poder, parece que os papéis desses dois tipos de mídia se inverteram.
Esbanjando jornalismo impecável durante os governos direitistas, a mídia alternativa, agora na situação, resolveu pisar no tomate e se transformaram em uma espécie de fã clube do Lula. O jornalismo exemplar foi para o espaço e textos longuíssimos e bastante subjetivos já aparecem nos portais alternativos, com total falta de crítica e portando aplausos que chegam a ser bem ilusórios.
Lula é tratado pela mídia alternativa como se fosse uma divindade, dotada apenas de qualidades. Mesmo seus erros são considerados acertos, como o salário mínimo baixo, a obsessão em se impor ao mundo, a irresponsável ampliação dos BRICS, a aliança com direitistas, entre outros equívocos de Lula, que é considerado por admiradores como "o maior estrategista político do Brasil", mesmo errando muito.
Estranhamente, a mídia alternativa acaba se comportando como a mídia corporativa nos tempos de direitismo governamental. Mas não que a mídia tradicional tenha se tornado responsável. nada disso. Como os donos da mídia corporativa continuam os mesmos, os interesses continuam os mesmos. Apenas se sentem mais livres para falar quando Lula erra de fato. E Lula erra bastante.
Para quem lê a mídia alternativa, tudo são rosas e flores. Mas ainda não vemos o Brasil decolar. Temer e Bolsonaro deixaram o país em ruínas e Lula, ao invés de reconstruir o país, ressuscitou medidas de vinte anos atrás que foram feitas para corrigir os erros das gestões de Fernando Henrique Cardoso, menos danosas do que os dois presidentes direitistas dos últimos anos.
O fracasso da terceira gestão de Lula está mais do que confirmado, embora a mídia alternativa faça crer em sucesso não somente absoluto como elevado da gestão do petista. Lula não mudou estruturas, evira ousadias e ainda trouxe de volta projetos obsoletos quando precisávamos de projetos inéditos, criados especificamente para combater os danos gerados por Temer e por Bolsonaro.
Mas somente a mídia tradicional, que vive protegendo direitistas - por estes defenderem e protegerem a ganância capitalista do poderoso empresariado brasileiro - irá falar dos erros de Lula, mesmo que haja interesse claro em derrubá-lo. Pois ninguém, nem mesmo os dois tipos de mídia estão interessados no desenvolvimento do país e na justiça social.
Mídia é sempre controlada por quem está bem de vida, resolvido em suas condições sócio-econômicas. Melhorar o país não somente lhes parece oneroso como pode atrapalhar interesses e convicções. Para os gestores dos meios de comunicação, quanto pior o país, melhor para eles, pois é mais assunto, mais audiência e mais dinheiro entrando nas contas. Um Brasil próspero é muito chato para as elites.
Deixem estar. As mentiras continuam. Até porque o moralismo das religiões, dominantes no Brasil, não condenou a mentira. Não há proibição de mentir nos Dez Testamentos da filosofia cristã. Tanto faz ser mídia tradicional ou alternativa. A mídia continua a ter credibilidade para seus receptores, carentes de educação de qualidade e reféns da fé religiosa. Como falar a verdade para uma sociedade assim?
