Breno Altman: esquerda se rende à hegemonia de ideias liberais

Breno Altman é um dos poucos esquerdistas que se mantém fiéis às origens trabalhistas, enquanto a maioria prefere aderir à meritocracia enrustida das causas identitárias. Breno tem feito críticas bastante sensatas a maioria dos esquerdistas e coerentemente não aprovou a aliança entre Lula e Alckmin, apesar de assumir um voto crítico no candidato petista.

Breno alertou sobre a estranha adesão da esquerda brasileira aos ideais neoliberais (liberais, nas palavras de Altman). As estranhas alianças com a direita moderada tem sido um importante sintoma desta guinada, que acabará, senão prejudicando, mas limitando muito a luta pelas conquistas trabalhistas, na medida que Lula chama para si quem sempre foi contrário aos movimentos da classe trabalhadora.

Há poucos anos, os movimentos de esquerda tem tomado uma guinada para o liberalismo. Esquerdistas agora priorizam as causas chamadas identitárias. Mesmo não descartando totalmente as causas trabalhistas, é nítido um certo desprezo pelo trabalhismo, colocando questões como emprego, salário e moradia em segundo plano, preferindo defender consumo de drogas, veganismo, divertimento (aqui rotulado de "cultura") e - pasmem! - o direito de um homem se vestir de mulher.

Essa guinada aconteceu porque o esquerdismo foi sequestrado pela classe média, pois é ela que tem acesso a chamada mídia alternativa e também por ser a classe melhor escolarizada - o que não significa ser a mais inteligente - tendo acesso melhor às informações que vão além das bolhas da mídia oficial.

Mas classe média não é classe operária - embora muitos integrantes da classe média, principalmente os menos remunerados, se considerem integrantes do movimento operário - porque a sua função para a sociedade é a de ser mais influente intelectualmente, algo que não acontece com a classe trabalhadora.

Ao ver e3ssa guinada, a classe trabalhadora se sente traída pelos esquerdistas e numa estranha tendência que é mundial, se torna bastante vulnerável para ser conquistada pela extrema-direita, que utiliza de argumentos mais convincentes para os trabalhadores sem a linguagem complicada e as inúmeras voltas do discurso típico da maioria das esquerdas.

Altman também havia alertado essa provável adesão da classe trabalhadora à extrema-direita e certamente é o que irá acontecer no país. A classe trabalhadora não vê mídia alternativa e os meios oficiais de comunicação, que são a única fonte de informação sobre política para o trabalhador. 

Os meios de comunicação acessíveis para a classe trabalhadora nunca mencionaram a existência da extrema-direta no Brasil, preferindo classificar Jair Bolsonaro como mais um dos presidentes incompetentes que o Brasil já teve. Algo que pode ser revertido a favor do ex-capitão.

De qualquer forma, a esquerda brasileira em geral erra muito e as decisões contraditórias de Lula, que até agora não definiu seu programa de governo - embora seus admiradores fanáticos pensem que sim - podem ser um tiro no pé e garantir mais 4 anos para Seu Jair. Bom lembrar que no Brasil, todos os presidentes que se candidataram a reeleição, foram reeleitos. Jair seria o primeiro a perder?

Mas boa a observação de Brenio Altman. Não há como a classe trabalhadora ter afinidade com um projeto liberal, como o que Lula está pretendendo utilizar em sua duvidosa gestão ao lado dos golpistas. Como é que o golpe será revertido por aqueles que se beneficiaram com ele e que agora fazem parte da gestão de quem pretende revogá-lo? É resposta a ser respondida com o tempo. E ele irá responder...

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