Porque a classe média remediada de esquerda quer a Bolsa família de qualquer jeito

É de estranhar a revolta indignada da classe média com o fim do bolsa Família se 1) não é ela que recebe o tal auxílio e 2) a classe média nunca foi de fato altruísta a ponto de se comover com a desgraça alheia. A pergunta que surge é: porque ela faz questão que o programa Bolsa Família seja mantido. 

Simples: a resposta está no número um do parágrafo anterior: não é a classe média que receberá o tal auxílio. Porque a classe média brasileira, sobretudo a de esquerda (dominada por artistas e professores universitários e não a classe operária, esta traída e magoada pelos esquerdistas) vai muito bem, obrigado.

Vamos reconhecer que brasileiros são conservadores, independente da orientação política. Mesmo os de esquerda tem um alto nível de conservadorismo, embora menor que a direita. Esquerdistas não querem mudar o mundo, mas inserir mais gente a ser beneficiada por este mundo que está aí. Esquerdistas ainda defendem conceitos, valores e instituições vigentes há décadas em nosso país.

Para quem defende essas instituições, a hierarquia é algo que deve ser respeitado. por isso, entre os conceitos mantidos é a inferioridade do povo pobre. Mesmo de forma positiva, pobres são tratados como se fossem animais de estimação (pets, na gíria atual). Dançando, pobres são fofos. Fazendo greves e reivindicando direitos, são feras selvagens que precisam ser domadas ou postas na jaula (cadeia).

Pobres nunca recebem, mesmo quando auxiliadas, os mesmos benefícios da classe média. A caridade nunca vai além do mero paliativo, embora sejam comemoradas como revoluções sociais transformadoras. 

Para quem é conservador, o mínimo que se faz em favor do pobre já é uma tremenda transformação social. Mesmo que nunca tire o pobre de sua condição indigna. Mesmo que a ajuda recebida o humilhe. Sim, porque, depender de ajuda alheia, sem poder caminhar com as próprias pernas nada tem de digno.

Salário mínimo de valor inconstitucional

O ideal seria aumentar o salário mínimo. Você já viu alguma campanha pelo aumento do salário mínimo, para que ele se torne capaz de pagar todos os benefícios definidos pela Constituição do Brasil? Claro que não. Não é de interesse da classe média, muito bem remunerada, de perder seu tempo preciso de bobagens supérfluas (tipo torcer para seu time de futebol) para se dedicar a reivindicações alheias.

Para a classe média, mesmo a de esquerda, mas a direita também, pobres são sub-humanos. Por esta condição, nunca devem receber os mesmos benefícios das classes anteriores. Além disso, aumentar o salário mínimo pode gerar um empobrecimento das classes superiores, que serão obrigadas a redistribuir renda, pagando melhores salários a subalternos trabalhadores.

A classe média não está excluída disso, já que nesta classe se situam pequenos empresários e pessoas que vão arcar custos pagando empregados domésticos e serviços que passarão a ser mais onerosos com o pagamento melhor das classes operárias. Reduzir o padrão de vida vai contra os interesses da classe média, mesmo os hipócritas que seguem o esquerdismo para agradarem a opinião pública.

Para esta classe média hipócrita, melhor manter o Bolas Família. Alimentar os cachorrinhos com comidas feitas para eles para que parem de latir. Assim, não precisam empobrecer os mais ricos para que os pobres tenham, senão a dignidade, algum tipo de benefício. Melhor dizendo, confortar os aflitos para não afligir os confortáveis.

Essa classe média espere de Lula uma revolução de fachada, onde paliativos garantam o falso bem estar das classes pobres que, diante projetos sociais assistencialistas, façam danças ridículas para comover as classes superiores, fingindo a felicidade que não tem para entreter essa mesma classe média que precisa se divertir com algo que não existe em seu cotidiano perfeito.

É para isso que servirá Lula e seus projetos paliativos como o Bolsa Família. Não serão os aims pobres a ficarem gratos a Lula e sim a classe média. A falsa alegria do povo pobre garantirá o entretenimento dos remediados, que terão a ilusão de justiça social feita a lhes entreter através de uma falsa felicidade  de danças patéticas e musiquinhas irritantes. Como cãezinhos a lhes entreter nos vídeos da internet.

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