Porque o Bolsa Família é uma esmola assistencialista, funcione ou não

Bolsonaro decidiu acabar com o programa Bolsa Família, o que causou revolta nos meios esquerdistas. Mas muita coisa precisa ser esclarecida para definir o que realmente é o Bolsa Família, acabar com seus mitos e reconhecer qual a sua importância para a economia brasileira.

Antes de tudo, é preciso dizer que a burguesia brasileira é extremamente muito poderosa. Tem em suas mãos todos os recursos para controlar a vida de todos os brasileiros e mudar a política nacional. Graças a burguesia o golpe de 2016 foi bem sucedido. Não tiraram Bolsonaro porque o ex-capitão não incomoda as elites. Pelo contrário, as ajuda a enriquecer muito.

Para o Capitalismo - cujo fim não é de interesse das esquerdas brasileiras e sim a sua adaptação - pobres são um estorvo. Se pudessem, os capitalistas os exterminariam. Mas isso ia pegar muito mal moralmente. A solução é criar meios para que os pobres nunca se revoltem. Dar comida para os cães não latirem.

Com parceria de grupos religiosos e instituições de caridade, que pedem ajuda a quem tem pouco para dar - não será a burguesia a sair distribuindo dinheiro aos pobres - o sistema decide ajudar os pobres com medidas paliativas, que não prejudicam a ganância dos ricos nem estimule a revolta dos pobres.

Lula sabe muito bem disso. Para evitar brigar com a burguesia, já que o petista nunca foi de fazer revoluções - embora seus fãs o considerem um revolucionário - foi decidido que o salário mínimo seria aumentado em ritmo bem lento, sem ainda cumprir o que diz a Constituição, já que o salário mínimo recomendado pela Carta Magna para uma vida digna é cinco vez mais ao valor decretado por lei.

Para não brigar com as elites, Lula decidiu compensar o baixo salário mínimo com um projeto assistencialista, inspirado nos que foram feitos no governo de Fernando Henrique Cardoso, neoliberal inventor da Teoria da Dependência (pobres e países emergentes foram feitos para ser eternamente subjugados), que daria um valor fixo a ser pago mediante cadastro.

O nome do programa assistencialista é Bolsa Família. Apesar de superestimado pelos esquerdistas de classe média alta como se fosse um revolucionário projeto econômico - claro, não é essa classe média que tem que se contentar com isso - o projeto é um meio positivo de humilhar os pobres a ter que receber por justamente serem pobres. Uma forma de mantê-los na pobreza com alguma renda.

O programa tem claras características de um projeto assistencialista. É um meio para compensar baixos salários, exige cadastro do povo pobre, e mesmo funcionando com algum sucesso, não tira os pobres de sua condição, aumentando somente um pouco seu poder aquisitivo. 

Claro que aumentando o salário mínimo e cobrando impostos dos mais ricos seriam medidas muito mais bem sucedidas de eliminar as desigualdades. Mas, talvez inspirado nas religiões, Lula preferiu não enfrentar a burguesia e criar um meio paliativo de manter o salário no nível baixo de 5 vezes amenos que o necessário.

É uma bobagem dos esquerdistas em terem que se recusar a dar o rótulo de assistencialismo a um projeto que de alguma forma deu certo, embora não tivesse eliminado as injustiças sociais. Parem de mimimi e assumam: o Bolsa Família é um projeto assistencialista, queiram ou não, por suas características. 

Se quisessem um projeto social e econômico de verdade, aumentariam 5 vezes o salário mínimo. Já que não aumentaram, paciência. É assistencialismo e ponto final.

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