O voto de Freixo, do PSOL e a nova divergência entre as esquerdas

Dois fatos podem rachar a esquerda brasileira e dificultar o caminho da eleição de Lula. Um foi a decisão de vários nomes da esquerda em votar contra a PEC5, que iria tornar mais rígido o controle sobre o Ministério Público (evitando assim os abusos cometidos pela Operação Lava Jato). Outro fato foi a decisão do desejado apoio do PSB ao PT sob a condição de que este último deveria desistir de ter candidatura própria em São Paulo.

Tanto o PSOL quanto seu ex-principal nome, Marcelo Freixo, decidiram votar contra a PEC5. A iniciativa foi felizmente entendida como um apoio enrustido à Lava Jato e seus abusos. Ainda existem pessoas que ainda acreditam na operação, que na verdade foi uma farsa construída por setores do governo estadunidense para impedir o desenvolvimento do Brasil, usando o combate à corrupção como desculpa.

Defender a liberdade sem limites para o Ministério Público é favorecer para que novos abusos aconteçam. Ainda mais com a possibilidade de um bem assanhado Lula ser eleito, ameaçando fazer em seu governo coisas que desagradam o Grande Mercado ligado aos EUA e países desenvolvidos. Mesmo fazendo acordos com golpistas secretamente ligados a setores do governo estadunidense.

É preciso haver freios para as instituições que estão secretamente ligadas à burguesia e ao governo dos EUA. Seus abusos fizeram o Brasil estar onde está, com extrema falência e governada por um fascista irresponsável e de ideias retrógradas. Frear estas instituições é o mínimo que se pode fazer para que a população não seja prejudicada por decisões que vem de cima, como tem sido tradicionalmente no Brasil.

O apoio de certos setores das esquerdas mostra que o esquerdismo não está forte no Brasil como a bolhinha de esquerdistas pensa. O Capitalismo se prepara para entrar em uma fase bem cruel e é uma falta de consenso achar que o Brasil entrará na sua melhor fase com um trabalhista no poder. Lula certamente será envolvido em uma forte camisa de força, limitando seu programa de governo para que não aconteça um novo golpe e para que não retorne à prisão, por possíveis novas - e falsas - acusações.

PSB só apoia Lula se PT não concorrer para governo de São Paulo

O partido que abrigou Freixo - e também Flávio Dino e a traidora da esquerda Tábata Amaral - impôs uma condição para que a vontade de Lula de ter um representante do partido como vice possa ser aceita. Márcio França, provável candidato do PSB ao governo de São Paulo, exigiu que o PT desistisse de ter candidato próprio para o governo do estado-capital da economia brasileira.

Isso gerou um mal estar no PT, que já estava incomodada com a decisão do PSOL de lançar Guilherme Boulos para o mesmo cargo político. O PT acha que teria grandes chances de vitória se Fernando Haddad fosse não apenas o candidato do PT, mas de toda a esquerda para o governo de São Paulo. Essa confusão toda que ainda envolve o PSOL e o PSB pode rachar a esquerda e dificultar a vitória de Lula.

Acontece que com esta discórdia, os dois partidos podem decidir por candidaturas próprias para a presidência da República, rachando as esquerdas. Os identitários, gigantesca maioria nas esquerdas, tem muita simpatia pelo PSOL e a entrada do partido na corrida presidencial com candidato próprio certamente vai arrancar muitos eleitores de Lula. Isso se Eduardo Leite, relativamente jovem e gay assumido, não concorrer pelo PSDB, arrancando ainda mais eleitores identitários de Lula.

Essas divergências podem prejudicar Lula e o PT já age para tentar fazer com que o líder petista continue sendo a única opção das esquerdas, de preferência (segundo o próprio PT) contra Bolsonaro, que se encontra relativamente enfraquecido, embora ainda não totalmente derrotado. Para o PT competir com Bolsonaro teria maior chance de vitórias, pois com medo de prolongar esta fase ruim da política brasileira, a única saída seria o voto em Lula na ocasião.

De qualquer forma, é ilusão achar que o caminho está livre para Lula. Em clima de "já ganhou", os petistas não imaginam que muita coisa pode acontecer até Outubro de 2022. Cantar vitória antes da hora sempre foi um erro estratégico. Fatos históricos mostram que piores derrotas vem do triunfalismo, do excessivo otimismo de achar que se ganhou antes mesmo da batalha começar.

Os admiradores de Lula podem ser surpreendidos com algo bastante desagradável, caso não optem pela estratégia, ao invés de comemorar antes do tempo uma vitória antes mesmo da campanha eleitoral ter seu início. Otimismo nunca elegeu presidentes na história política mundial.

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