Lula age como se vivesse em 2002
O grande problema do Lula é querer repetir o sucesso de suas duas gestões como se os contextos social, político e econômico atuais fossem os mesmos de 2002. Não são. Por pior que tivesse sido o governo de FHC, não arrasou o país a ponto de deixá-lo em escombros, como está agora, com Bolsonaro. FHC deixou danos sim, verdade, mas não escombros.
Ao agir assim, prometendo mudanças que não poderá por em prática - não esqueçamos que o golpe político ocorreu há apenas 5 anos e continua fazendo efeito - Lula acabou estimulando uma legião de fanáticos a acreditar cegamente em suas promessas surreais, fazendo com que em troca, o petista se sentisse muito amado a ponto de reforçar ainda mais as ilusões para retribuir o carinho recebido.
O que vemos? Velhas promessas feitas ignorando o cenário político de hoje, achando que todos os danos gerados pelo Golpe de 2016 pudessem ser revertidos, com - pasmem! - ajuda dos próprios golpistas, interessados em não ver um país próspero com população em qualidade satisfatória de vida.
A natureza não dá saltos e a história política mostra que tem ritmo lento, com fatos políticos que duram séculos. Como convencer golpistas, ainda no calor do Golpe de 2016, a mudarem de ideia e cederem para que seus interesses sejam trocados pelos da população brasileira? Complicado imaginar isto.
Iludido e achando que está em 2002 - Lula inclusive se surpreendeu com os danos do país atual - Lula não para de errar estrategicamente, se esquecendo que sua única missão para 2023 será a de reparar os danos causados pelas duas gestões anteriores, algo que pode levar muitas décadas para ser feito.
Mas como uma onda irracional vem ocorrendo nas esquerdas por causa deste fanatismo, além do fato da classe média que a representa não fazer questão de melhorias políticas, por viver de forma satisfatoriamente confortável, ninguém se importa com a falta de estratégia de Lula e com a sua insistência em viver no passado.
Até porque numa sociedade conservadora como a brasileira, até os progressistas amam o passado, embora não vejam. Feliz 2002!