Aquário não é mar aberto: conheçam a maioria silenciosa

As redes sociais acabaram por se tornarem verdadeiros aquários humanos. Limitados em espaço e opções, tem se a ilusão de que o pouco que se vê é o todo ( o tal "somos 70% que nem 70% é, muito menos 100%). 

É muito fácil distorcer fatos dentro de meios de comunicação. Para se ter uma noção da realidade é preciso desligar os meios de comunicação, incluindo as redes sociais. 

Acontece que nos meios esquerdistas, incluindo a mídia corporativa e as redes sociais consideradas progressistas, seus membros acabam pensando que são o todo de uma humanidade. 

Acreditam que o que pensam é quase unânime e isso faz surgir entre eles não somente um apaixonado fanatismo como também um triunfalismo intenso que o faz pensar estar com o jogo ganho antes dele mesmo começar.

Esquecem os esquerdistas, estes formados em sua maioria por cidadãos de classe média, bem remunerados e que praticamente só andam de automóveis, que fora de seu ambiente fechado, onde acreditam estar a nata da classe trabalhadora, está um universo imenso real, não-pertencente ao mundo esquerdista e que vive, pulsa, trabalha e mostra seu pensamento. É a maioria silenciosa.

Pasmem: é na maioria silenciosa que se encontra a verdadeira classe trabalhadora. Não aqueles trabalhadores fakes mostrados em vídeo na caricatura do Kwai ao estilo Os Trapalhões, que fingiam estar votando em Lula, com copos de álcool nas mãos. Mas o trabalhador do cotidiano, que ganha pouco, anda de ônibus e tem preocupações muito mais importantes que maconha, travestismo, veganismo e astrologia, estas preocupações da bem vivida esquerda identitária.

A classe trabalhadora integra de forma majoritária a chamada maioria silenciosa e ela se sente traída pelas esquerdas que há muito tempo colocaram as causas trabalhistas em segundo plano. Até porque majoritariamente de classe média, os esquerdistas não vão ficar perdendo tempo lutando por causas que não suas, já que para esta classe, os problemas trabalhistas foram mais do que resolvidos.

A maioria silenciosa, que se encontra fora das redes sociais dedicadas aos esquerdistas, está preocupada em ter dinheiro para pagar as suas contas e ter o mínimo de dignidade de vida, com salário para as suas necessidades e para um mínimo entretenimento. As causas defendidas pelas esquerdas identitárias não  interessam a essa maioria silenciosa, que não fica perdendo tempo discutindo isso, vendo nos esquerdistas uma fauna esquisita e fora do mundo real.

É bem provável que esta maioria silenciosa reserve uma grande surpresa desagradável aos triunfalistas das esquerdas identitárias, triunfantes com a possível - mas não garantida - vitória de Lula. Essa maioria silenciosa acaba vendo no líder petista uma espécie de traidor e enganador, que promete muito em uma realidade caótica, com ajuda justamente dos golpistas que o queriam ver atrás das grades.

É bom os esquerdistas acordarem de seu sonho encantado e parassem de ver mar aberto dentro de sue limitado aquário. A maioria silenciosa está fora desta festa do identitarismo e não faz questão de representatividade. 

Entendendo a responsabilidade da função de presidente da República, querem um líder que resolva os seus problemas, não um representante seu, como se fosse um membro de sua família, só para dizer que a classe trabalhadora chegou ao poder. Para fazer a mesma coisa que os presidentes burgueses sempre fizeram e farão.

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