Adeus trabalhismo! Viva o identitarismo!

Muita gente não percebe mas o esquerdismo mudou muito nestes últimos anos. O trabalhismo, senão totalmente descartado, perdeu importância, se tornando algo quase supérfluo. 

No lugar, surge o identitarismo, uma quizumba neoliberal feita para dar voz a supostos oprimidos (na verdade membros bem sucedidos das classes oprimidas), dando a ilusão de justiça social.

Este desprezo pelas causa trabalhistas e a troca pelo identitarismo afastou as classes trabalhadoras da esquerda brasileira. Os trabalhadores preferem a direita moderada, onde conseguem encontrar alguma voz disposta a lhes ouvir, por mais que não queira de fato ceder direitos e renda.

É infantil os esquerdistas pensarem que faria parte do interesse de trabalhadores ver homens vestidos de mulher, trocar carne por maconha e consultar o horóscopo do dia para decidir que atitude tomar. Trabalhadores querem renda e qualidade de vida e o identitarismo é uma realidade que não faz parte daqueles que vivem às custas de salários tão escassos e sem direitos para compensá-los.

O identitarismo é algo não muito bem explicado e que virou prioridade máxima para as esquerdas. Sem dar direitos de fato, a ideia do identitarismo é substituir opressores por oprimidos acreditando que estes , no poder, ajudariam a melhorar o mundo, a favor da humanidade. Já temos negros, gays, mulheres e membros de outras classes oprimidas em cargos de liderança e nenhuma mudança aconteceu no mundo.

O identitarismo é uma causa que só interessa a classe média que passou a dominar nas esquerdas brasileiras. Classe média não se interessa por causas trabalhistas pois estão com a sua situação econômica resolvida. Como lutar por uma causa que não é a sua?

As causas identitárias, o veganismo e a liberação da maconha, misticismo, ufanismo futebolístico, entre outras similares, atendem mais aos interesses de uma classe muito bem remunerada. Por isso que o esquerdismo brasileiro expulsou a classe operária de sua militância e colocou a classe média, em sua maioria formada por professores universitários, no lugar.

Esta postura influenciou muito a mudança de pensamento da esquerda brasileira, que resolveu colocar o trabalhismo em décimo plano, abaixo de interesses particulares de uma classe média remediada. Isso explica o porque do otimismo em relação a Lula em um cenário tão incerto. Incerto para o povo, mas não para classe média, que tem como se virar no cenário de caos. Se piorar, é só fugir do país.

O trabalhismo foi definitivamente soterrado pela maioria esmagadora dos esquerdistas brasileiros. Causas trabalhistas são um assunto superado. Interessa é escolher os mais bem sucedidos dos oprimidos e colocá-los no poder para fazer exatamente a mesma coisa que os opressores de outrora fizeram. Mas o que importa? A classe média abastada está muito feliz para ter que se preocupar com certos detalhes...

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