A imaturidade da esquerda brasileira
A esquerda brasileira é um fenômeno recente. Mesmo que tenhamos em nosso passado histórico casos como o de Luís Carlos Prestes, o esquerdismo só se transformou em ideologia no Brasil muito recentemente, com a polarização política, depois do golpe de 2016.
Mas muita gente ainda não entendeu o esquerdismo brasileiro, o que fez com que o antigo trabalhismo, que sempre caracterizou o pensamento de esquerda, fosse praticamente descartado. No lugar colocamos um Frankenstein ideológico chamado identitarismo, criado pelo neoliberalismo para servir de consolo à manutenção das desigualdades econômicas.
O comportamento dos esquerdistas brasileiros em sua militância é bastante equivocado e inclui muitos pontos que sequer fazem parte do pensamento verdadeiramente esquerdista. Há muito delírio e alienação enrustida, pois sendo brasileiros, a racionalidade não costuma ser plena, dando lugar a um subjetivismo que dificulta ainda mais a compreensão do mundo real.
A emotividade do brasileiro (povo que foi educado a achar que fé é mais importante que a razão) e a incompreensão do relativamente recente esquerdismo faz com que as militâncias cometam equívocos frequentes e rotineiros. A objetividade não tem muita graça para quem vive em clima constante de festa, alegria e fé. Legal mesmo é rir, pular, cantar, gritar, dançar e acreditar.
Vai demorar muitas décadas e talvez séculos, para que brasileiros entendam o pensamento de esquerda de forma mais objetiva e realista. Enquanto isso não ocorrer, tanto a direita moderada como a extrema-direita tentarão ficar com a razão, mesmo distorcendo conceitos para imobilizar a militância oposta.
No momento assistiremos esquerdistas falando bobagem e demonstrando a burrice que tanto negam. É fácil acusar os outros de agir feito gado, quando se faz parte de outro tipo de gado. Tão bovino quanto o gado do outro lado da rua.
