A Ditadura dos Professores Universitários, enxergando a pobreza de binóculo
Com isso, as classes trabalhistas, abandonadas pelas esquerdas, deram lugar aos professores universitários, gente com títulos e mais títulos e vida bastante confortável e salário relativamente alto que se meteu em defender as classes operárias com um grande distanciamento, sem passar cotidianamente pelas dificuldades das mesmas.
Os professores universitários passaram a dominar o pensamento de esquerda da mesma forma que a burguesia domina o pensamento de direita. Por isso mesmo a classe docente é considerada como parte da chamada Pequena Burguesia, não tão rica de influente quanto o empresariado, mas mesmo assim, rica e influente, dentro de seu meio considerado progressista.
Não que fosse ruim a presença de professores universitários nas esquerdas. Mas a forma como eles atuam dentro das esquerdas não é a de sábios orientadores, mas a de um clero ultra-influente, dono da verdade absoluta e que acha que saber teoria, sem conhecer a prática, é suficiente para se entender a realidade.
Gente que lê seus caríssimos livros em poltronas hiper-confortáveis de salas muito bem refrigeradas. Que consegue entrar em faculdades na Europa para obter títulos de doutorado com a facilidade com que uma criança brinca de rodar pião. Gente que possui uma vida relativamente farta, que viaja para o exterior como quem vai para o centro da cidade e não passa pela tristeza de ver a conta bancária vazia.
É claro que, do contrário das classes trabalhadoras, os professores universitários enxergam os problemas do povo pobre de forma distanciada. Com uma qualidade de vida próspera e priorizando a teoria em suas rebuscadas e prolixas teses de mestrado e doutorado, a compreensão da pobreza acaba sendo distorcida, tratada como se fosse enxergada por um binóculo, do conforto de suas mansões.
Claro que para quem vive de forma abastada, as causas trabalhistas não interessam. Para alguém bem vivido, para se interessar por uma causa que não é sua, é preciso ter um altruísmo bastante desenvolvido. Mas altruísmo, além de não fazer parte do instinto humano, ele é estigmatizado como "patente" religiosa. Para muitos, altruísmo é invenção de Jesus Cristo e © do Cristianismo.
Além da incompreensão da vida do pobre, tratando o cotidiano das classes oprimidas como se fosse um valioso tipo de cultura, feliz, inteligente e cheio de novidades, como se favelados fossem um tipo de "indígenas" (mito da favela linda, da glamorização da miséria e de apologia da pobreza), os professores universitários atuam nos meios esquerdistas com uma certa mão de ferro.
Claro, como donos do saber, são donos da verdade e as opiniões deles sempre devem ser as últimas e definitivas. Mesmo analisando a vida das classes oprimidas de forma distanciada, com distorções grotescas, querem impor o resultado de suas pesquisas prioritariamente teóricas, difíceis de serem entendidas e que por vir de intelectuais consagrados, são consideradas verdades inquestionáveis.
Esse domínio de professores universitários - muitos patrocinados por entidades estranhas ligadas a CIA estadunidense, criadas com a finalidade de engessar o pensamento progressista - tem criado uma estagnação nas esquerdas que preferem cruzar os braços e ver o andar dos fatos se dar "por conta própria" (na verdade, movimentados pela direita moderada, que é quem sempre agiu neste país).
Com o resultado, vemos uma esquerda alienada, que prioriza supérfluos, que vê qualidade no lixo cultural e que espera muito para se manifestar nas ruas. As classes trabalhadoras, traídas, se cansaram das esquerdas e migraram para a direita moderada, onde podem encontrar alguém disposto a lhes ouvir, mesmo para nada fazer.
Há muito o trabalhismo deixou de ser assunto das esquerdas. Culpa dos bem vividos professores universitários, cujo mundo real parece se encontrar em páginas de livros e não no triste cotidiano de salários reduzidos e ausência de glamour.
