A eleição de Eduardo Paes comprova conservadorismo do povo carioca
Para piorar encanaram de consagrar a ideia equivocada de que não existe conservador bem humorado. No Brasil, o caráter é muito associado ao humor: se você é alegre, é gente boa; se está de mau humor, você tem más intenções. Nada disso. Há muita gente perversa que vive sorrindo e há muita gente boa chateada com a estagnação da evolução humanitária.
Mas com influenciados pelo mito do caráter com base no humor, as pessoas trataram de consagrar o povo carioca como um povo progressista que só tem qualidades. Não por acaso, o Rio de Janeiro é a capital cultural do país, localidade brasileira mais conhecida no mundo todo e altamente influente nos outros estados brasileiros, a ponto de burguesia e classe média de todos os estados quererem se parecer com os cariocas.
Mas se engana quem pensa que o carioca não é conservador. É conservador. Pois conservador, acima de tudo, quer conservar, manter e evitar todo tipo de mudança. Se houver alguma mudança, ela tem que ser pequena ou nunca deve interferir no sistema como um todo, que deve ser mantido para que os beneficiários continuem sendo sempre os mesmos.
Nesta última eleição, os cariocas bateram o martelo e decidiram: "não queremos mudanças". Elegeram Eduardo Paes, fingindo aversão ao ultra-conservador Marcelo Crivella, bispo ligado ao neo-pentecostalismo. A raiva contra um seguimento religioso falou mais alto do que o desejo de mudanças - a fraquíssima esquerda carioca perdeu de forma vergonhosa, por falta de estratégia.
Entre um conservador mal humorado como Crivella e um conservador alegre como Paes, preferiram o segundo. Afinal, gestor de copa e olimpíadas, de festa ele entende. Como ser contra alguém festeiro? Então vamos festejar a manutenção de tudo como está. Afinal, os quatro times cariocas de futebol continuam existindo com condições de dar muita alegria aos seus torcedores.
A eleição de alguém que destruiu o estado do RJ, mas cujos efeitos foram sentidos na gestão seguinte - o que joga a culpa em Crivella, e não em Paes - mas que representa a manutenção de tudo que existe no RJ, como compensação à crise teratológica que impedirá o desenvolvimento do estado pelos próximos 50 anos (!!!), resultado da burrice administrativa característica dos gestores cariocas.
O lazer, que sempre foi prioridade máxima no estado e responsável por transformá-lo em capital cultural do país (Brasília é a capital política, São Paulo a econômica), servirá, como nunca, de um insumo para o bem estar de uma população carente de qualidade de vida. Pois não adianta birra: dentro de 50 anos, o Rio de Janeiro não irá se desenvolver.
Toda a renda, se aplicada honestamente, será destinada a saldar dívidas. O sonho da Comperj, que impulsionaria o desenvolvimento do estado, foi para o ralo com o Golpe de 2016, que aliás, foi planejado no Rio de Janeiro, saindo das mentes de autoridades cariocas. Uma atitude kamikase, pois o mesmo estado que comandou o Golpe, sofreu as consequências dele, hoje totalmente falido.
Mas o festeiro Eduardo Paes retoma a prefeitura da capital do estado. Sem dinheiro para desenvolver o município, certamente fará festinhas e investirá - nem que seja pouco - no futebol, para que os infantilizados cariocas possam se sentir felizes no meio de tanta miséria e estagnação.
Mas os cariocas nem ligam. Festa é o que eles querem e enquanto a bola rolar em campo, tudo parecerá às mil maravilhas. Os incomodados que se mudem, pois o Rio de Janeiro acaba de decretar a sua oficial estagnação.
