Manifestos de frente ampla são ciladas para volta da direita "civilizada" ao poder

Foram lançados dois movimentos criados para - supostamente - protestar contra as atitudes claramente ditatoriais de Jair Bolsonaro e sua equipe de sádicos. Um se chama Juntos e outro, Somos 70 Por Cento. Ambos contam com integrantes da direita moderada e pretendem ser movimentos supra-partidários, supostamente sem defesa de ideologias definidas.

Só que os movimentos contam com a presença de muitos integrantes da chamada centro-esquerda (a esquerda que não deseja mudanças radicais no país, além da inclusão de pobres, negros, gays, mulheres no mesmíssimo Capitalismo que está aí). A parte ingênua das esquerdas que quer diálogo com a direita moderada, formada por PSOL, PDT, PC do B e pela parte conservadora do PT.

A presença destas forças de esquerda nestes manifestos tem animado os esquerdistas como um todo, ignorando que movimentos como este são ciladas que escondem a intenção de colocar a direita "civilizada" de volta ao poder (leia-se tucanos e simpatizantes, como o mega-empresário oportunista Luciano Huck), empurrando a esquerda para a função de coadjuvante ou até mesmo de figurante.

A direita, mesmo a moderada, nunca foi amiga das esquerdas. Mesmo que todos tenham um inimigo em comum (Jair Bolsonaro), isso não significa que os membros desses movimentos possam ser amigos. Aliás, a medida é uma cilada, cujas verdadeiras intenções não são nada nobres.

O objetivo é criar um racha na classe empresarial, separando os malucos que ainda seguem Bolsonaro (que rapidamente destrói a economia brasileira) e os empresários mais esclarecidos economicamente que, mesmo sendo tão ou mais gananciosos que os empresários bolsonaristas, querem seguir a risca todas as regras da economia tradicional, dando uma aparência de sensatez e responsabilidade.

Esta elite "mais responsável" é a que está por trás desses movimentos que deseja manter as desigualdades sociais, mas tornando-as um pouco menos nítidas, já que não existe nenhum projeto de redistribuição de renda e de redução do nível de padrão de vida dos mais ricos. Como distribuir melhor a renda se os ricos continuam ricos, cheios de supérfluos ostensivos?

Outro objetivo é eliminar de uma vez por todas as chances da volta da chamada esquerda ao poder. Nem mesmo a centro-esquerda, claramente pequeno-burguesa. A grande burguesia quer o seu retorno ao timão da nau Brasil para ditar as regras do neoliberalismo que tanto os beneficia. 

Mas como o povo está menos trouxa, aprendendo aos poucos como funciona a política em nosso país (algo que nem mesmo os mais politizados sabiam - se há uma coisa boa no Golpe de 2016 é que nos ensinou como é a política), a burguesia terá que disfarçar os seus planos de manutenção da ganância com projetos sociais paliativos e a presença de Luciano Huck, um mascate que pensa que é filantropo, seja como líder ou como garoto-propaganda.

O ideal é que as esquerdas criassem seu próprio movimento, agindo de forma agressiva, mesmo arriscando a morrer em combate, pois Bolsonaro e seus apoiadores só entendem a linguagem da violência. O comportamento valente das torcidas organizadas é o correto e merece aplausos de pé, embora muitos esquerdistas usem o episódio para fazer proselitismo pró-futebol.

Unir com a direita moderada tem o seu preço, ele é caríssimo e será cobrado assim que recuperarmos a "democracia" (entre aspas, já que nem a direita moderada quer democracia e sim uma forma sutil de dominação social, como tradicionalmente sabemos). 

Que as esquerdas guardem os confetes e fogos, pois a luta não está no fim. A luta mal está começando. E os inimigos estão em número muito maior do que pensamos. E podem estar justamente do nosso lado... 

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