Conceito de "cultura " para as esquerdas, não leva em conta a espontaneidade

Já falamos aqui que as esquerdas adoram superestimar o entretenimento, dando nomes nobres como "arte" e "cultura", ignorando o nível de espontaneidade e o caráter mercenário de quem faz música apenas por dinheiro. Para as esquerdas, tudo é cultura, desde poetas que escrevem sozinhos embaixo de árvores quanto garotos semi-analfabetos obedecendo as ordens de um produtor mercenário, em cima de um palco cheio de luzes e dançarinos remunerados.

Para as esquerdas, a qualidade de uma obra dita artística não está na obra e sim na plateia. Para os esquerdistas, na arte, a qualidade da obra é uma coisa subjetiva (como a beleza facial de uma pessoa, outra coisa relativizada pelos esquerdistas, que são capazes de chamar um velho feio de galã e ver delicadeza feminina em uma gorda masculinizada). 

Por ser subjetiva, esquerdistas consideram que uma obra "varia a sua qualidade" de acordo com o gosto de cada um. Aspectos como valor histórico e importância sócio-intelectual são, senão esnobados, minimizados. O que importa, para os esquerdistas, é a reação da plateia e a classe social da qual ela pertence. Um campeonato de arroto bem recebido pelo povão terá o seu valor "cultural" e "artístico" reconhecido, com inúmeros aplausos e elogios e tratamento de obras-primas.

Curioso que isso pode levar, de forma frequente, embora não absoluta, a uma inversão de valores. Como as esquerdas inventaram que as iniciativas que propusessem melhoria na qualidade das obras seria uma forma de elitismo (qualidade cultural medida pelo público receptor), confundindo com o mito direitista de que "ricos entendem mais de cultura que os pobres", uma música curtida por intelectuais (confundidos com ricos) seria considerada pior que a curtida por pobres.

Isso favorece a superestimação de estilos  musicais curtidos por pobres, independente de sua qualidade como obra, ignorando sempre o fato real de que os pobres ouvem aquilo que chega a eles (curiosamente difundidos por ricaços, donos de gravadoras,m produtoras e meios de comunicação), independente de ser bom ou não. 

O costume acaba criando uma falsa, mas perpétua identificação entre obra e receptor e a música criada, produzida e difundida pelo ricaço acaba sendo adotado pelo receptor como se este fosse o criador. A ponto dos pobres criarem suas obras com base nesta tendência ouvida, reforçando a ilusão de que a obra ouvida nos meios de comunicação é criação do povo pobre, outrora mero receptor.

Cultura sobre a ótica capitalista

Não apenas na música, mas em todas as formas de produção de entretenimento, a medição de qualidade com base no perfil e na reação do público receptor acontece. Mas não é só. As esquerdas tem uma contraditória visão capitalista do que é a cultura: o que garante a melhoria da qualidade cultural não é a formação intelectual de um entertainer ("artista") e nem a espontaneidade. É a remuneração, o investimento financeiro e a o aumento de recursos materiais para a sua execução.

Esta ótica, muito mais a ver com o Capitalismo (Ué, as esquerdas não seriam contra o Capitalismo?) nada tem a ver com melhoria na qualidade da obra. Se um "artista" só é capaz de criar obras medíocres, com o aumento de dinheiro, vai continuar criando obras medíocres, só que mais pomposas, com "banho de loja". A pompa inclusive é usada para disfarçar a mediocridade da obra.

Além disso, as esquerdas ignoram que o dinheiro entra como um fator destruidor da espontaneidade na cultura. Por dinheiro, qualquer um faz qualquer coisa. Não importa o que se cria, importa é o dinheiro que vai entrar. 

Um exemplo disso: se um cantor que detesta axé-music descobrir que ganharia mais dinheiro cantando esse tipo de música, ele decide cantar, mesmo detestando. Onde está a espontaneidade necessária à importância cultural, se o emissor detesta aquilo que está difundindo? No mínimo, um "artista" que faz o que detesta deve ser tratado como farsa. E isso nem é cultura, nem arte.

E o que dizer das brigas entre integrantes de bandas por dinheiro? O que dizer de músicos que são contratados das bandas, sem participar da gestão das mesmas e ganhando bem menos? Como definir isso como cultura? Como arte? Essas pessoas fazem cultura, se elas nem mesmo tem o controle de suas carreiras?

E o pior: e os jovens dançarinos contratados como armações musicais para cantar músicas criadas de forma publicitária por produtores mercenários, estão sendo espontâneos, mesmo não gostando do que fazem e enganando multidões com obras de qualidade ruim, inferior ao mediocre? Isso é arte? Isso é cultura? Óbvio que não!

Uma coisa a ser dita pelos esquerdistas: parem de falar em arte e cultura! Este conceitos, utilizados da forma que vocês utilizam é subjetivo. O que vocês chamam de arte e de cultura é na verdade o entretenimento, produtos criados para diversão, para passar momentos de ócio. A maioria esmagadora não tem a função de dar lições de vida, desenvolver o intelecto e melhorar conceitos estéticos. Não raramente, muitas obras contribuem para o ridículo e patético.

A diversão costuma ser superestimada pelos esquerdistas, que enxergam no ócio alienado a oportunidade de desenvolvimento intelectual que só existe na cabeça de quem acredita nesta hipótese. Diversão é só lazer, uma brincadeira feita para passar tempo. Poucos estão preocupados em usar o ócio para desenvolver intelecto e esclarecer a humanidade. 

Mesmo que hajam entertainers que finjam estar esclarecendo a humanidade, eles o fazem através da emotividade barata e não da intelectualidade, o que reforça ainda mais o caráter de entretenimento (poderíamos chamar este tipo de entretenimento sustentável) que não nasce do intelecto e sim da necessidade de usá-lo para se promover.

As esquerdas deveriam reconhecer que os conceitos de arte e de cultura são nobres demais para classificar o que é produzido há cerca de oitenta anos, quando a cultura de mercado ganhou força e inúmeras pessoas usaram o entretenimento como meio de ganhar renda, um meio mais rápido e fácil de enriquecimento financeiro. Não precisa gostar do que faz. Basta atrair quem se dispõe a pagar.

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