Esquerdistas são autoritários nas defesas das causas identitárias

As esquerdas brasileiras ainda estão aprendendo a ser esquerdas. Brasileiros antes de tudo, e vivendo em um país tradicionalmente conservador não conseguem se livrar de alguns cacoetes conservadores, já que o instinto brasileiro e a defesa de valores - mesmo duvidosos - nacionais os levam a defesa de forma autoritária de certos pontos de vista. 

Para começar, vamos ver o que são causas identitárias: são causas que defendem interesses de grupos isolados de classes oprimidas, geralmente relacionados com auto-afirmação e não com qualidade de vida. Seriam causas importantes para serem tomadas como prioridades, se vivêssemos em uma sociedade cujos problemas trabalhistas, que envolvem recepção de renda justa, estivessem resolvidos.

Mas apesar das causa trabalhistas, causas fundadoras do que conhecemos como ideais de esquerda, sociais e progressistas, estas, mesmo não totalmente desprezadas, são jogadas em segundo plano para que as causas identitárias, que ganham mais visibilidade e apoio de quem está com a vida financeira resolvida, são transformadas em prioridade. Como se gays,negros, mulheres, etc., pudessem ter dignidade plena mesmo sem ter o mínimo de dinheiro no bolso.

Não somente as causas identitárias são colocadas como prioridade, como são defendidas com um certo autoritarismo, sem o debate de como deve ser feito, se deve ou não ser prioridade e se o benefício de uma classe não iria prejudicar o de outra classe. E geralmente prejudica, infelizmente.

As feministas, por exemplo, não estão dispostas a dialogar com os homens. Se acham no direito de abusar de seus companheiros, como uma forma de "compensar" as injustiças do passado. Agem como direitistas, são punitivistas, agressivas, masculinizadas, mas se consideram fofinhas de esquerda, desrespeitando até mesmo homens que são contra o machismo, mas que pagam no lugar de machistas.

Há muitas outras situações em que as causas identitárias são exigidas de forma autoritária, agressiva, imposta sem o mínimo diálogo. O fato dessas classes favorecidas terem direitos trabalhistas ou não é subestimado, já que não há luta prática em prol da melhoria salarial e da recuperação de direitos eliminados pela Reforma Trabalhista, cruel medida facilmente aprovada diante de olhares inertes de perplexas lideranças de esquerda. As mesmas que priorizam causas identitárias.

As esquerdas, ao subestimar as causa s trabalhistas, acabaram rompendo com as raízes de esquerda. Deve ser porque essas lideranças estão bem de vida, sem sentir na própria pele a desgraça de se passar um mês com pouquíssimo dinheiro no bolso. 

"Problemas alheios? Não vamos lutar!", bradam as esquerdas muito bem remuneradas que preferem as causas identitárias. Causas identitárias são mais simpáticas, aparecem mais, atraem mais público. Por isso mesmo que a direita moderada está junto nessa de priorizar as causas identitárias.

Ou pensam que o maior líder da direita moderada, Fernando Henrique Cardoso, o "príncipe" das elites tupiniquins, é contra causas identitárias?

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