Lideranças de esquerda tentaram criar mais um mártir, mas não conseguiram

Como sabemos, infelizmente, mais um jovem foi morto no suporto combate ao tráfico. João Pedro, morador do bairro do Salgueiro, em São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro, foi cruelmente assassinado por policiais com um tiro certeiro na barriga. Tinha apenas 14 anos, embora a repercussão pela opinião pública tenha tratado o rapaz como se tivesse menos idade.

Claro que uma morte cruel de um jovem de bom caráter é revoltante. Nós aqui também ficamos revoltados. Mas a reação das esquerdas foi estranha, talvez tão cruel quanto o assassinato em si, que foi o de tentar transformar o rapaz em um mártir.

Mártir é quando a punição ou a morte de alguém serve para transformar este em um herói. As esquerdas ainda insistem em transformar Marielle Franco em mártir, como se o fato de considerá-la um misto de santa e heroína pudesse melhorar as coisas. E não melhora.

Mas parece que as lideranças de esquerda deram com os burros na água. Se por um lado, as lideranças de esquerda ficaram insistindo em cultuar o falecimento do jovem rapaz, o público de esquerda deu sinais de que está de saco cheio da fabricação de mártires.

O público não levou adiante a repercussão da morte do rapaz e preferiu lamentar a morte cruel de forma silenciosa. Afinal, são muitos os jovens mortos de várias formas nas periferias e João Pedro foi apenas um deles, que teve a sorte de ter um nome e uma estória para ser divulgada.

Sabe-se que pessoas só se comovem com mortos se eles vierem com um nome e uma estória a tiracolo. Mortos anônimos não sensibilizam, o que prova que, infelizmente, as pessoas não se comovem por pessoas mas por estórias emocionantes a servirem como novelas para entreter o público sedendo por estórias emocionantes.

Tá, a morte do jovem foi cruel, mas é necessário ficar o tempo todo falando sobre ele? Para quê serve a histeria de tentar transformá-lo em mártir? Colocar João Pedro em um pedestal irá resolver o problema da violência nas favelas? Problemas cujas raízes são muito mais profundas e mais complicadas de serem resolvidas, inclusive com abnegação de valores considerados "positivos", como o mito da "favela linda" defendido por muitos esquerdistas.

Parece que as lideranças de esquerda perceberam a pouca repercussão nos fóruns de esquerda, já que não faltam assuntos para serem debatidos nesta loucura em que se transformou o Brasil. Hoje, o assunto aparentemente morreu e a tentativa de transformar João Pedro no novo Edson Luís de Lima Souto, estudante que morreu durante a ditadura, fracassou.

Parece que para o público de esquerda, muito mais sensato que as suas lideranças, não quer mais novos mártires. Já enche o saco todo o culto semi-religioso devotado a Marielle Franco. Precisa de mais mártires para ficar o tempo todo cultuando? As esquerdas querem montar uma galeria de "santos" para serem louvados, como em uma religião?

Postagens mais visitadas deste blog

Lula não rompeu com Michel Temer

Classe média de esquerda não tem consciência de classe

Lula: "pobre custa pouco no orçamento"